Moçambique poderá iniciar a produção nacional de gás de cozinha até ao início de 2026, a partir de Inhassoro, na província de Inhambane. A iniciativa integra o Projecto Integrado de Gás de Temane e conta com o envolvimento da Sasol e da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).
O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, afirmou que a unidade de produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL) está praticamente concluída e poderá arrancar entre Dezembro de 2025 e os primeiros meses de 2026. O calendário inicial foi impactado por distúrbios pós-eleitorais que dificultaram o progresso das obras e comprometeram a segurança operacional.
Esta infraestrutura faz parte de um conjunto maior que inclui uma central térmica de 450 megawatts e uma linha de transporte de energia com mais de 560 quilómetros até Maputo. A unidade de GPL terá capacidade anual de 30 mil toneladas.
Redução de Importações e Energias Limpas
Com esta produção nacional, o Governo espera reduzir em até 70% a necessidade de importar gás de botija. O projecto visa ainda facilitar o acesso a fontes energéticas mais limpas, promovendo a substituição gradual da lenha e do carvão vegetal no uso doméstico.
“O nosso compromisso é garantir uma fonte acessível e sustentável para as famílias”, destacou o ministro Pale.
Parceria Público-Privada e Visão de Futuro
O desenvolvimento do projecto é resultado de um acordo entre o Governo, a ENH e a Sasol, como parte de um plano mais amplo para acelerar a transição energética no país.
Na mesma ocasião, Estêvão Pale mencionou esforços para retomar o megaprojecto Mozambique LNG, em Afungi, cuja suspensão poderá ser revertida em breve. O Presidente Daniel Chapo garantiu que o Executivo continuará a criar condições para um ambiente de investimento seguro e atrativo.
A futura produção de gás em Inhassoro representa um marco na autonomia energética do país, promovendo não só benefícios ambientais, mas também impacto directo nas condições de vida das famílias moçambicanas.
